terça-feira, 6 de setembro de 2011

Alice e a corrida aos céus


A coluna de Rubens Alves de hoje chama-se "Cada um corre do jeito que pode" e conta um trecho do livro "Alice no país das maravilhas", que reconto da minha maneira:

Vários animais iniciaram uma corrida, mas cada um corria do seu jeito. Havia caranguejo, marmota, pombo, coruja, macaco... De repente, o pássaro Dodô gritou: "A corrida terminou!". Todos se reuniram e perguntaram: "Quem ganhou?". "Todos ganharam", disse Dodô. "E todos devem ganhar prêmios". 

E assim começo a escrever sobre o meu querido vovô Dunda.

Sempre foi um bom trabalhador, pai, avô e marido. Todos que o conheceram sentem por ele uma profunda saudade.

Trabalhou na roça por toda a vida para sustentar os seus 7 filhos, sendo que dois viu morrer jovens. Nunca levantou a voz para ninguém, muito menos para a mulher, de quem cuidou até o fim.

E falando na minha querida avó, ela sempre me dizia: "Filha, nunca beije na boca do seu marido, muito menos o deixe a ver pelada. Seu avô nunca me viu sem roupas. Isso é coisa de gente descarada". Era pequena e ficava abismada pensando em como o meu avô tinha conseguido fazer os 07 filhos. Depois de anos, entendi porque o meu pai chamava-o de "Campeão".

Um dia, o levamos para ver o jogo do São Paulo no Morumbi e ele ficou encantado. Disse que em uma das vezes em que veio para São Paulo tentar a sorte, não conseguiu emprego algum, então passou a tomar conta dos carros em frente ao Estádio do Morumbi. Nunca imaginou que um dia ia entrar lá para ver um jogo de verdade. Fiquei com um nó na garganta, pois já tinha visto tantos jogos ali.

Como o meu avô não sabia ler, achei engraçado quando o vi folheando um gibi da Mônica e rindo muito. Ele disse que aquela revistinha ele conseguia entender. 

Fumou desde pequenininho, mas morreu mesmo de viagra. Depois que a minha avó faleceu, foi aproveitar a vida aos 80 anos com uma senhora mais nova, mas o coração não aguentou.

Não, não adiantava insistir para ele ir à Igreja, porque como ele não sabia ler, sentia-se excluído, especialmente quando o Pastor pedia para abrir a Bíblia ou o hinário. Também não compreendia toda aquela pregação com palavras difíceis.

E por mais que eu escreva, somente quem o conheceu sabe o quanto ele era especial.

Quando o meu primo pastor foi ao seu leito de morte dizer que ele deveria aceitar Jesus Cristo para ir ao Céu. Meu avô ficou indignado e disse: "Eu criei 07 filhos com o trabalho na roça, cuidei da minha velhinha por anos pacientemente. Olha, quando eu morrer, eu quero ver quem vai me impedir de entrar no Céu".


Voltando à Alice, cada um corre do jeito que sabe e pode. O amor de Deus excede o nosso entendimento. E nesse transbordar de amor, ele alcança os bondosos e humildes de coração, que são cristãos sem nunca ter compreendido bem tantas ladainhas contadas pelos homens que passam a vida desvendando teses para, no fundo, tentarem ser igual ao meu avô.

Se estivesse presente no momento em que o meu avô faleceu, somente pediria a sua benção sobre a minha vida, porque não sou digna de falar do amor de Deus para um homem que sempre caminhou lado a lado com Ele.  


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quatro anos de casamento


Quatro anos de casamento.

Nunca houve ódio, pratos estraçalhados na parede e mensagens infinitas no celular.

Ontem houve ciúmes, palavras mal ditas e teimosia. Amanhã também. 

Sempre há perdão.

Somos apaixonados e companheiros. Eu vivo sem você, mas prefiro estar ao seu lado.

Porque te amar não exige muito, é leve como o sambinha de Jobim.

É agradecer a Deus, se a minha vida se encerrar enquanto escrevo essa pequena declaração.

Mas querer uma longa jornada ao teu lado, até que os meus cansados e velhos olhos te enxerguem pela última vez.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crise dos 30




Mudando de assunto, resolvi voltar a estudar inglês, (pensando em fazer ioga, pilates, ballet, teatro, psicologia, culinária, enfim, acho que estou em plena crise de identidade pós 30 anos).  A partir de agora decidi terminar os projetos iniciados e fracassados, motivada pelos exemplos abaixo:


José Saramago nasceu em 1922. Publicou o seu primeiro livro com 25 anos (em 1947), que não teve muito brilho. Poderia ter desistido da carreira de escritor, porém, eis que com 44 anos (em 1966) volta a escrever e somente faz efetivamente sucesso com "Memorial do Convento", no ano de 1982, ou seja, com 60 anos (fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-saramago.jhtm).

Roberto Marinho nasceu em 1904. Herdou o Jornal "O Globo" e fundou uma carreira de rádios. O impressionante é que a TV Globo foi criada em 1965, quando ele tinha mais de 60 anos de idade (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Marinho).


É isso. Vamos matar certas frustrações antes que a idade da loba chegue.


Segue um quadrinho de Mulheres Alteradas, que mostra bem como me sinto hoje:





Rssss... 


E essa é para as minhas muitas amigas que acabaram de virar mamães:







Beijocas!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nostalgia

"Se não estivermos um tanto bêbados, de vinho ou poesia, como sugeriu Baudelaire, a vida vira um mero trajeto do pó ao pó, com escalas por unhas encravadas e planilhas Excel" (retirado do texto publicado por Antonio Prata na Folha de São Paulo do dia 15/06/2011).

Gosto muito do escritor Antonio Prata. Quando leio as crônicas dele publicadas na Folha, às quartas, tenho uma vontade grande de parabenizá-lo pessoalmente.

Hoje ele escreveu sobre nostalgia, que seria a saudade do passado. Um passado enaltecido pelo tempo.

É comum se dizer que a melhor época da vida era a infância. Pelo menos eu, nessa fase, tinha pouco dinheiro, recebia muitos nãos, muitas broncas e acordava, obrigada, bem cedo para ir à escola. A nostalgia acontece quando lembro da árvore de natal, da paixonite, do esconde-esconde, da amarelinha, do doce da avó, do colo... Como  situações tão pequenas e simples me bastavam? 

Não sei se isso somente acontece comigo, mas os hormonios me fazem enloquecer. Eis os sintomas: procuro arranjar uma briga com alguém, tenho pesadelos e, sempre, acredito que as pessoas ao meu redor não gostam tanto assim de mim. Fico sensivelmente dodói.

E é por isso que guardo os meus apetrechos nostálgicos na carteira e os releio quando a loucura bate à minha porta. Leio uma carta muito romântica feita pelo meu marido no ano de 2000 e um cartão de despedida feito pelos meus antigos colegas de trabalho. Também, revejo fotos antigas da família e de amigos.

Quero crer que o meu marido me ama mais hoje do que há 11 anos. Sei que a minha família não era perfeita quando eu era mais nova e, em muitos aspectos, está melhor hoje. Meus colegas de trabalho atuais são incríveis. E lembro bem que me sentia muito feia com aquele cabelo de xitaozinho e com aqueles óculos que batiam na bochecha. 

Porém, olhar esses momentos com um pouquinho de embriaguez, me faz mais forte e me faz sorrir. É o que basta por hora.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dia da mães e as pantufas

Passei o dia das mães na casa da minha avó adotiva. Muita comida e bafafá sempre.

Em reuniões de família, uma advogada sofre tanto quanto um médico. Todos tem aquela pequena dúvida a ser sanada entre uma colherada e outra. E como parente não sabe ser objetivo, a questão estende-se em uma larga história, com todos querendo dar seus petelecos. Enfadonho trabalhar de graça no fim de semana.

Imagino a minha irmã quando se formar médica: as pessoas sacando o Raio-X no mesmo momento em que a lasanha é servida. Mostrando receitas, para confirmar o diagnóstico do médico, que elas não confiam. E as perebas que serão vistas por todos antes de servir a sobremesa! Isso vai acontecer, porque se eu como advogada sou alvo das feridas e machucados no meio de uma consulta sobre um contrato de locação, com uma médica será muito pior. Aposto que muitos peitos cairão na mesa, para terror da minha irmã e alegria dos demais com a situação constrangedora. Ossos do ofício. Ah, ninguém vai pagar nada.

Mas enfim, era o momento de receber presentes. A avó abria um a um com aquela expectativa. De mim nada recebeu porque não tive tempo para comprar (...), como disse que nao precisava, já eliminei essa despesa da lista futura.

O primeiro foi uma calça jeans. Nunca pensei naquela senhora de quase noventa anos, um metro e trinta de altura, cheia de varizes nas pernas, com uma calça jeans, mas nesse mundo modernino...

Depois vieram os sabonetes. Ah, os sabonetes, quanto mais anos, mais sabonetes.

E, por fim, uma linda pantufa rosa. Achei uma graça. Baixinho a avó me disse: essa já é a terceira que eu ganho. As outras duas estão guardadas e nunca usei...

Assim são vistos os velhos: dentro de casa de pantufas. Que bom que ainda não ganhei nenhuma. 


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Engasgada e triste - 1

No dia 11 de abril fiz uma cirurgia para a retirada de um pólipo no cólo do útero. Sou alérgica a muitos medicamentos e, por esse motivo, estava com medo de morrer na maca ou de dor no pós-operatório.

A música "Meio Almodovar" busquei na internet para que fosse mostrada ao meu marido, caso eu viesse a falecer, juntamente com um e-mail que havia escrito. Nada disso aconteceu porque eu fui atendida por médicos excelentes, em um hospital de primeira linha. O e-mail de despedida foi bem deletado.

Um dia antes, em 10 de abril, uma menina de 8 anos, que vou chamar de Sofia, também fez uma cirurgia para a retirada das amigdalas em um Hospital da rede pública. Logo teve alta e foi para a casa, mesmo não totalmente recuperada, com a receita médica. Tomou o primeiro remédio no dia seguinte e a glote começou a inchar, faltando-lhe o ar.

A mãe, desesperada, voltou ao Hospital por volta das 10 horas do dia 11 de abril. A atendente disse que ela estava no setor errado, pois ali somente poderiam estar as pessoas que ainda seriam operadas. Complicações da cirurgia somente no pronto-socorro, que fica do outro lado.

No pronto-socorro, respirando com extrema dificuldade, aguardou horas para ser atendida. A mãe clamava por socorro no ponto-socorro. Por volta das 13 horas resolveram colocá-la no soro.  Não é preciso ser médico para saber que sem oxigênio não se vive. Parada cardiaca logo em seguida. É entubada. Sofia falece.

Há um limite para a tristeza?

Não sei o diagnóstico de Sofia,  mas há de se concordar: é cruel uma criança permanecer por horas lutando para respirar, sem o auxílio de um médico ou de uma enfermeira dentro de um hospital.

O vice-presidente José Alencar viveu por anos com um câncer. Absolutamete correto a velhice ser vivida nobremente. Mas não houve justiça para a pobre Sofia,  que não pode pagar o preço para existir com dignidade.

No dia 11 de abril de 2011, a música "Meio Almodovar" tocou para a família de Sofia. Não para a minha.

Eu estou meio engasgada e com lágrimas nos olhos. Não consigo agradecer a Deus por estar viva sem me sentir uma pessoa injusta. Começo a entender o evangelho. Não quero me conformar com esse tempo. Não vou empedrecer o meu coração.

Para viver, preciso acreditar em um mundo onde a Sofia brinca com outras crianças, feliz porque não existe mais dor. Ela apenas espera a mãe voltar.

Obs.: E por conta disso, apago a postagem "Breve Desabafo" por parecer pequeno demais diante dos acontecimentos de hoje.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conto "Pai contra mãe" de Machado de Assis

Estou lendo os "Cem melhores contos brasileiros do século" e vou comentar alguns, que para mim são excelentes.
Começarei com o primeiro do livro: "Pai contra mãe" de Machado de Assis.

A história é sobre o casal Clara e Cândido Neves, que se amavam muito. Casaram-se, mas o dinheiro era pouco para a sobrevivência do casal e para ajudar a Tia Mônica (de Clara).
   
         "A alegria era comum aos três. O casal ria a propósito de tudo. Os mesmos nomes eram objeto de trocados, Clara, Neves, Cândido; não davam que comer, mas davam a rir, e o riso digeria-se sem esforço; Ela cosia agora mais, ele saía a empreitadas de uma coisa e outra; não tinha empreo certo" (fls. 21)
 
Clara fazia bicos em casa como costureira para completar a renda da família. Já Cândido não se acertava em emprego algum e passou a ser caçador de escravos fujões, um ofício daquele tempo. No entanto, a concorrência se tornara grande e na maioria das vezes Candido voltava para a casa de mãos vazias.

Com a gravidez de Clara e diante da miséria que se instaurava, a Tia Mônica aconselhou o casal a entregar a criança à Roda dos Enjeitados, assim que ela nascesse. "Enjeitar quê? Enjeitar como? Candinho arregalou os olhos para a tia, e acabou dando um murro na mesa do jantar. A mesa, que era velha e desconjuntada, esteve quase a se desfazer inteiramente." (fls. 24).

Mas acabou que o casal foi despejado. A Tia Mônica conseguiu um aposento para os três em uma casa de uma senhora velha e rica. Enfim, a Tia Mônica convenceu o casal a entregar o menino à Roda dos Enjeitados, para que o mesmo não morresse de fome.

No caminho, com a criança no colo, Cândido reconheceu na rua a negra fugitiva Arminda. Bradou o nome da negra, que, inocentemente, voltou-se. Foi quando então Cândido a atou pelos pulsos. A escrava gritava e pediu que a soltasse pelo amor de Deus:
       
          "- Estou grávida, meu senhor! exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte; eu sereu sua escrava, pelo tempo que quiser. Me solte, meu senhor moço!" (fls. 26). ..."Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoites, - coisa que, no estado em que ela estava, seria pior de sentir. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoites" (fls. 27) ... "- Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois? perguntou Cândido Neves" (fls. 27).

No fim, a escrava é entregue ao seu senhor. Na luta com aquele, a escrava abortou: "o fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono" (fls. 27).

Cândido recebeu os cem mil-réis e voltou para a casa com o filho.

          "... Tia Mônica, ouvida a explicação, perdoou a volta do pequeno, uma vez que trazia os cem mil-réis. Disse, é verdade, algumas palavras duras contra a escrava, por causa do aborto, além da fuga. Cândido Neves, beijando o filho, entre lágrimas verdadeiras, abençoava a fuga e não se lhe dava do aborto. - Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração" (fls. 27).

Para mim, esse conto é uma explicação do provérbio "A barca é perdida. Salve-se quem puder". Deixe-se a consciência de lado e tente sair vivo desse louco mundo. 

O que Cândido fez foi realmente horrivel e ainda justificou a sua conduta com a frase: "Nem todas as crianças vingam". Porém, isso acontece todos os dias, muitos são os momentos em que o ser humano se despe de sua humanidade e se torna um animal irracional, que mata o próximo na luta pela sobrevivência.

Nada mudou: ainda temos senhorios muito ricos que não dão à mínima para o próximo, e continuam a explorá-los; pobres que se puderem passam por cima do seu irmão; e escravos, que, sem forças para nada, continuarão a ser subjulgados por todos.
     



terça-feira, 5 de abril de 2011

Meio Almodovar


O que na minha vida foi meio Almodôvar, meio Fellini, só o princípio de felicidade?
Lembro de um Natal, em que eu esperava ansiosamente pelo presente. Olhava a árvore todos os dias, na esperança de descobrir em um dos pacotes um pequeno sinal de que aquele me pertencia.
Os dias iam se passando e a árvore cada dia estava mais cheia. Sabia que um ou dois eram meus, pois eramos em dez netas praticamente. A idéia do Natal gerava em mim uma felicidade incrível. O cheiro do pernil assado, do peixe, do frango (na nossa casa parecia que tinhamos que comer todos os animais viventes para realmente comemorarmos o nascimento de Jesus) e dos inúmeros doces. A alegria de brincar com as minhas primas e de dormir pouco antes da meia noite para aguardar o papai noel Tio Neco chegar. Mas, a alegria se irradiava quando pensava no meu presente.
Deu meia noite e todos os pacotes foram entregues. Nenhum era para mim.
As tias disseram que já haviam adiantado o meu presente: o abajour que havia ganhado no início de dezembro. Não me lembrava daquele bibelô.
Fiquei encolhida no Natal, com uma inveja dos demais que se deliciavam com as bugigangas encontradas embaixo da árvore.

....

Mas a música do Lenine é tão intensa que me remete a outros fatos muito tristes. À perda de entes queridos.
Eu nao conheci a minha avó paterna, somente a materna, baiana, cujo nome desse blog a ela dedico (torcidinho era um salgadinho muito trabalhoso de fazer e que era devorado em minutos por mim e pelos meus irmãos. Minha avó ralhava muito por isso. A Dona Glória ainda renderá outras postagens). Mas a Batchan me conheceu pequenina, consoante prova a foto na casa de minha mãe.
Ela morreu com 54 anos ou pouco menos. E eu sinto uma saudade doida dos bolos de fim de tarde que não provei, das músicas para dormir que não ouvi, dos apertões na bochecha que não senti... De dizer na segunda-feira que passei o domingo na Batchan, que não fala mais coisa com coisa.
O meu avô casou com a minha avó por conveniência, pois, como Jacó, amava Maria, a minha tia-avó. Quando bebia muito, ia a casa de Maria e gritava para todos e para ela que a amava. Semelhante declaração nunca ouviu a minha avó, que passou seus cinquenta e poucos anos calada, servindo a um marido amargurado e aos sete filhos. Os meus primos, com exceção de um ou de outro, nunca tiveram uma avó presente e certamente sofreram pela ausência de uma Batchan.
Talvez, se ela tivesse vivido mais um  pouquinho sentiria, enfim na vida, o amor que os netos ainda hoje sentem por ela.