domingo, 15 de maio de 2011

Adão Iturrusgarai - quadrinhos


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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dia da mães e as pantufas

Passei o dia das mães na casa da minha avó adotiva. Muita comida e bafafá sempre.

Em reuniões de família, uma advogada sofre tanto quanto um médico. Todos tem aquela pequena dúvida a ser sanada entre uma colherada e outra. E como parente não sabe ser objetivo, a questão estende-se em uma larga história, com todos querendo dar seus petelecos. Enfadonho trabalhar de graça no fim de semana.

Imagino a minha irmã quando se formar médica: as pessoas sacando o Raio-X no mesmo momento em que a lasanha é servida. Mostrando receitas, para confirmar o diagnóstico do médico, que elas não confiam. E as perebas que serão vistas por todos antes de servir a sobremesa! Isso vai acontecer, porque se eu como advogada sou alvo das feridas e machucados no meio de uma consulta sobre um contrato de locação, com uma médica será muito pior. Aposto que muitos peitos cairão na mesa, para terror da minha irmã e alegria dos demais com a situação constrangedora. Ossos do ofício. Ah, ninguém vai pagar nada.

Mas enfim, era o momento de receber presentes. A avó abria um a um com aquela expectativa. De mim nada recebeu porque não tive tempo para comprar (...), como disse que nao precisava, já eliminei essa despesa da lista futura.

O primeiro foi uma calça jeans. Nunca pensei naquela senhora de quase noventa anos, um metro e trinta de altura, cheia de varizes nas pernas, com uma calça jeans, mas nesse mundo modernino...

Depois vieram os sabonetes. Ah, os sabonetes, quanto mais anos, mais sabonetes.

E, por fim, uma linda pantufa rosa. Achei uma graça. Baixinho a avó me disse: essa já é a terceira que eu ganho. As outras duas estão guardadas e nunca usei...

Assim são vistos os velhos: dentro de casa de pantufas. Que bom que ainda não ganhei nenhuma.