domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu morrinha 2

Enfim,  está tudo dito. 
Meu coração escutou: Não é amor.
Há prazer; há dor e uso.
Há carência encoberta.
Há mentira e amizade.
Não amor.
Aqui só resta eu, muito morrinha...
E com vontade de chorar.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Eu morrinha

Morro, amor (Arnaldo Antunes)

Morro, amor
Todo dia eu sei que vou morrer de ti
E que amanhã de novo eu estarei aqui
Pra não cicatrizar essa ferida
Até aonde a morte nos permita
Morro, amor
Morro, amor
Morro, amor

Morro, amor
Todo dia eu sei que vou morrer de amor
Como se diz morrer de rir ou de calor?
Mas sei também que o amor um dia morre
Contra todo amante o tempo corre
Morre o amor
Morre o amor
Morre o amor

Morre o amor
Driblando esse destino nosso amor se faz
A cada sol a pino eu peço um dia a mais
Pra não acreditar na despedida
Até aonde nos levar a vida
Morro, amor
Morro, amor
Morro, amor

Morro, amor
No palco de um teatro, no hall, no saguão
No quarto de um apartamento ou num portão
Num brinde, numa brincadeira sem razão
Não há como blindar um coração

Pra não acreditar na despedida
Até aonde nos levar a vida
Morro, amor
Morro, amor
Morro, amor

Morro, amor
No palco de um teatro, no hall, no saguão
No quarto de um apartamento ou num portão
Num brinde, numa brincadeira sem razão
Não há como blindar um coração

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Matilde a flutuar.


De solidão, Matilde perdera a fome e só se apetecia de peixe. No jantar e no amanhecer.
E de tanto assim comer, sentiu escamas pelo corpo e uma vontade enorme de adentrar ao mar.
Fria e com olhos mortos, ninguém a conseguia pegar.
Não falava desses sentimentos a ninguém. Sentia, porém, que o animal crescia dentro dela quando ouvia notícias de que seu amor Pablo era mais feliz nos braços de outra.
Parecia que o destino somente tinha unido Matilde a Pablo para faze-la chorar. 
A amargura tomava conta de Matilde. 
Não teve dúvidas. Subiu ao cerro São Francisco e, de costas, lançou-se ao mar. 
Gostava de água fria. A solidão se foi. Não havia mais ela com ele. Não havia mais tristeza ou alegria. Só Matilde a flutuar.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Moreninha


Moreninha,
Beleza minha,
Amor que anima...
A vida ilumina
Nos cantos mais pequeninos,
Dos sonhos de menino.

sábado, 5 de abril de 2014

Adeus...

 "Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, 
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar 
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos 
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, 
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. 
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança. 
E eu lhe digo adeus."


Pablo Neruda.



domingo, 23 de março de 2014

Ternura



Minha ternurinha, te quero tão bem,
que aceitei só esse carinho escondido,
mas, tola, eu te peço, tenta voar comigo...
Pois você é o mel que cai sobre mim quando sorri,
A lua que o ladrão não conseguiu roubar, 
A dança no fim da tarde... 
Mas se tudo o que se deu foi apenas um repente,
Nas bandeirinhas ficarão estes versos, para quando estiver triste, 
sentir o vento  te tocando de leve, ao recitar o meu amor por você.
Dorme sonho, dorme...
pois só de ti não posso ser feliz.












segunda-feira, 14 de outubro de 2013

34 anos - a la chico

Não foi um ano fácil para mim, mas também não foi para muitos amigos queridos. Hoje paro de me fazer de vítima da vida e não cobro mais pelo estrago, meu peito tão dilacerado.

Meu casamento acabou. O amor dos 20 anos não sobreviveu à década seguinte. 


Pensei em apagar todas as declarações de amor anteriormente aqui escritas. Não vou, pois elas foram verdadeiras. Amei muito. Sofri também. Mas não vou deixar que a dor apague todo o sentimento.


A amargura se foi. Sim, há dias em que a carência me sufoca. Outros em que o amor me constrange. A saudade de um não sei o que, em verdade, também existe para os casados, não é a dor dos sozinhos. 


Recebi no dia 01 de outubro mais 365 dias de presente. Vou cuidar de cada um deles e vive-los de forma apaixonada. De repente, quem sabe, acontece de eu me pegar cantando, sem mais, nem por quê, por estar enamorada novamente, ainda que seja por mim.