De solidão, Matilde perdera a fome e só se apetecia de peixe. No jantar e no amanhecer.
E de tanto assim comer, sentiu escamas pelo corpo e uma vontade enorme de adentrar ao mar.
Fria e com olhos mortos, ninguém a conseguia pegar.
Não falava desses sentimentos a ninguém. Sentia, porém, que o animal crescia dentro dela quando ouvia notícias de que seu amor Pablo era mais feliz nos braços de outra.
Parecia que o destino somente tinha unido Matilde a Pablo para faze-la chorar.
A amargura tomava conta de Matilde.
Não teve dúvidas. Subiu ao cerro São Francisco e, de costas, lançou-se ao mar.
Gostava de água fria. A solidão se foi. Não havia mais ela com ele. Não havia mais tristeza ou alegria. Só Matilde a flutuar.
