segunda-feira, 28 de abril de 2014

Matilde a flutuar.


De solidão, Matilde perdera a fome e só se apetecia de peixe. No jantar e no amanhecer.
E de tanto assim comer, sentiu escamas pelo corpo e uma vontade enorme de adentrar ao mar.
Fria e com olhos mortos, ninguém a conseguia pegar.
Não falava desses sentimentos a ninguém. Sentia, porém, que o animal crescia dentro dela quando ouvia notícias de que seu amor Pablo era mais feliz nos braços de outra.
Parecia que o destino somente tinha unido Matilde a Pablo para faze-la chorar. 
A amargura tomava conta de Matilde. 
Não teve dúvidas. Subiu ao cerro São Francisco e, de costas, lançou-se ao mar. 
Gostava de água fria. A solidão se foi. Não havia mais ela com ele. Não havia mais tristeza ou alegria. Só Matilde a flutuar.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Moreninha


Moreninha,
Beleza minha,
Amor que anima...
A vida ilumina
Nos cantos mais pequeninos,
Dos sonhos de menino.

sábado, 5 de abril de 2014

Adeus...

 "Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, 
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar 
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos 
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, 
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. 
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança. 
E eu lhe digo adeus."


Pablo Neruda.