"Se não estivermos um tanto bêbados, de vinho ou poesia, como sugeriu Baudelaire, a vida vira um mero trajeto do pó ao pó, com escalas por unhas encravadas e planilhas Excel" (retirado do texto publicado por Antonio Prata na Folha de São Paulo do dia 15/06/2011).
Gosto muito do escritor Antonio Prata. Quando leio as crônicas dele publicadas na Folha, às quartas, tenho uma vontade grande de parabenizá-lo pessoalmente.
Hoje ele escreveu sobre nostalgia, que seria a saudade do passado. Um passado enaltecido pelo tempo.
É comum se dizer que a melhor época da vida era a infância. Pelo menos eu, nessa fase, tinha pouco dinheiro, recebia muitos nãos, muitas broncas e acordava, obrigada, bem cedo para ir à escola. A nostalgia acontece quando lembro da árvore de natal, da paixonite, do esconde-esconde, da amarelinha, do doce da avó, do colo... Como situações tão pequenas e simples me bastavam?
Não sei se isso somente acontece comigo, mas os hormonios me fazem enloquecer. Eis os sintomas: procuro arranjar uma briga com alguém, tenho pesadelos e, sempre, acredito que as pessoas ao meu redor não gostam tanto assim de mim. Fico sensivelmente dodói.
E é por isso que guardo os meus apetrechos nostálgicos na carteira e os releio quando a loucura bate à minha porta. Leio uma carta muito romântica feita pelo meu marido no ano de 2000 e um cartão de despedida feito pelos meus antigos colegas de trabalho. Também, revejo fotos antigas da família e de amigos.
Quero crer que o meu marido me ama mais hoje do que há 11 anos. Sei que a minha família não era perfeita quando eu era mais nova e, em muitos aspectos, está melhor hoje. Meus colegas de trabalho atuais são incríveis. E lembro bem que me sentia muito feia com aquele cabelo de xitaozinho e com aqueles óculos que batiam na bochecha.
Porém, olhar esses momentos com um pouquinho de embriaguez, me faz mais forte e me faz sorrir. É o que basta por hora.
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